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Quanto vale o que não se pode recriar? Escassez e alto padrão em Florianópolis

No mercado imobiliário, preço e valor nem sempre significam a mesma coisa.


O preço registra quanto se pede, ou quanto se paga, por um imóvel em determinado momento. O valor, observado sob uma perspectiva patrimonial, envolve algo mais profundo: a dificuldade de reproduzir aquilo que aquele imóvel oferece.


Em Florianópolis, essa leitura ganha características muito particulares.


A geografia da Ilha, a presença expressiva de áreas naturais e de preservação e as regras urbanísticas fazem com que determinadas combinações de terreno, localização e paisagem sejam, por natureza, limitadas.


Mas existe uma distinção importante: escassez, por si só, não significa valor.


Raro não é o mesmo que irreproduzível


Um imóvel pode ser raro e, ainda assim, não sustentar uma posição diferenciada no mercado.


A escassez se torna relevante quando está associada a atributos desejados e difíceis de reproduzir: uma localização consolidada, uma relação privilegiada com a paisagem, boa implantação, arquitetura consistente e uma demanda capaz de reconhecer esses diferenciais.


Uma vista preservada não tem o mesmo significado patrimonial de uma vista sujeita a futuras interferências. Um terreno bem posicionado, em uma região com pouca disponibilidade, não pode ser analisado apenas pela metragem. E uma arquitetura bem resolvida ajuda um imóvel a permanecer relevante mesmo diante de novos produtos.


Por isso, pagar acima da média não significa necessariamente pagar caro. E um preço elevado, por si só, também não transforma um imóvel em um ativo excepcional.


Três perguntas antes de atribuir valor à escassez


1. O atributo é raro ou é irreproduzível? Um acabamento exclusivo pode ser copiado no próximo lançamento. Uma frente para o mar, não.

2. O mercado deseja esse atributo? Escassez sem demanda não se converte em valor. Ela precisa ser reconhecida por quem compra hoje e por quem comprará amanhã.

3. Esse diferencial estará protegido no futuro? A vista, a privacidade e o entorno de hoje podem mudar com novas construções. O que está protegido pela geografia ou pelas regras de ocupação tende a permanecer.


Quando as três respostas são positivas, a escassez deixa de ser argumento de venda e passa a ser fundamento patrimonial.


O valor daquilo que não pode ser facilmente recriado


À medida que Florianópolis se desenvolve e o mercado amadurece, essa leitura tende a ganhar ainda mais importância.


Novos empreendimentos continuarão surgindo, com evolução arquitetônica, tecnológica e construtiva. Ao mesmo tempo, alguns atributos permanecerão estruturalmente limitados.


Não é possível criar uma nova frente para o mar. Não é possível reproduzir indefinidamente terrenos com determinadas posições. E não é simples recriar, em qualquer endereço, a combinação entre natureza, infraestrutura, arquitetura, privacidade e qualidade de vida que alguns pontos da Ilha oferecem.


Isso não significa que todo imóvel em uma região escassa vá se valorizar. O mercado imobiliário envolve ciclos, demanda, liquidez e muitas outras variáveis. Significa que compreender o que pode ser reproduzido, e o que dificilmente poderá, é uma camada essencial da análise patrimonial.


Uma leitura que antecede a escolha


É nesse ponto que a curadoria imobiliária ganha profundidade.


Selecionar um imóvel não deveria significar apenas encontrar propriedades dentro de uma faixa de preço, metragem ou número de suítes. Significa compreender o objetivo da aquisição e, a partir dele, distinguir o que é passageiro do que é permanente.


Para quem compra para morar, algumas variáveis terão mais peso. Para quem busca preservar ou construir patrimônio, outras assumem protagonismo.


Em ambos os casos, existe uma pergunta que considero cada vez mais relevante em Florianópolis:


Quanto vale aquilo que, no futuro, será ainda mais difícil de encontrar?



Camylle Schafer | Curadoria Imobiliária

Florianópolis • Miami • Orlando • Algarve

CRECI-SC: 41466-F


Este artigo apresenta uma análise geral de mercado e não constitui recomendação individualizada de investimento.

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