
O que ainda merece ser chamado de alto padrão?
Durante muito tempo, falar em imóvel de alto padrão significava falar de localização privilegiada, metragem generosa, acabamentos nobres e uma extensa lista de áreas de lazer.
Esses atributos continuam relevantes. Mas já não explicam os movimentos mais interessantes do mercado de Florianópolis.
O que começa a ganhar espaço é uma discussão mais exigente: a qualidade do produto como um todo.
Não se trata de construir imóveis mais caros. Trata-se de construir imóveis mais consistentes.
O fim da lista de diferenciais
Piscina, academia, espaço gourmet e áreas comuns sofisticadas deixaram de ser, sozinhos, sinais de diferenciação. O comprador encontra esses itens em um número cada vez maior de empreendimentos.
A diferença passou a estar na forma como tudo se conecta.
No alto padrão, a experiência não deveria ser uma camada adicionada ao projeto. Ela deveria ser consequência dele.
As perguntas que separam um bom produto de uma boa apresentação
- Como o edifício se relaciona com o terreno?
- A arquitetura aproveita a orientação solar, as vistas e as características naturais do lugar?
- O paisagismo apenas decora ou participa da experiência de morar?
- As áreas comuns têm coerência com a proposta do projeto?
- Os materiais e as soluções construtivas sustentam o que foi apresentado no conceito?
Quando as respostas são consistentes, o produto se sustenta sozinho. Quando não são, nenhuma lista de diferenciais compensa.
Em Florianópolis, o lugar faz parte do produto
Mar, lagoa, dunas, vegetação e montanhas fazem parte da identidade da cidade. Por isso, os projetos mais interessantes são os que interpretam o lugar em que estão, em vez de simplesmente ocupar o terreno.
Preservar perspectivas, criar transições entre o interior e o exterior e trabalhar a vegetação de forma integrada mudam completamente a experiência de quem vive ali.
Um comprador que pede provas
O comprador de alto padrão viaja, conhece outros mercados e compara. Para ele, não basta comunicar exclusividade. É preciso mostrar onde ela está.
Essa mudança também eleva a responsabilidade de quem atua na intermediação. Quanto mais sofisticado o produto, menos sentido faz limitar a conversa a metragem, número de suítes e preço.
Alto padrão não é sinônimo de preço alto
Talvez este seja o ponto mais importante dessa transformação.
O preço posiciona um imóvel em uma faixa de mercado, mas não determina sua qualidade. Um produto verdadeiramente diferenciado precisa de argumentos que sustentem essa posição: arquitetura, implantação, execução, materiais, paisagismo, privacidade, experiência e aderência a quem vai morar ali.
Por isso, a pergunta deixa de ser apenas "quanto custa este imóvel?". E passa a ser: "o que existe neste produto que justifica a sua posição e continuará relevante daqui a alguns anos?"
Um mercado que começa a exigir mais
A evolução do alto padrão em Florianópolis não depende apenas de novos empreendimentos. Depende de incorporadores, arquitetos, compradores e profissionais que elevam seus critérios.
Talvez, por isso, a transformação mais interessante não esteja no que está sendo construído. Esteja na forma como começamos a entender o que merece ser chamado de alto padrão.
Camylle Schafer | Curadoria Imobiliária
Florianópolis • Miami • Orlando • Algarve
CRECI-SC: 41466-F
Este artigo apresenta uma análise geral de mercado e não constitui recomendação individualizada de investimento.




