
Empreendimentos assinados em Florianópolis: quando arquitetura e autoria se transformam em valor
Uma cidade que amadurece também passa a exigir mais daquilo que constrói.
E talvez essa seja uma das transformações mais interessantes que começam a aparecer no mercado imobiliário de alto padrão de Florianópolis.
Durante muito tempo, localização, metragem, acabamento, vista e estrutura de lazer foram suficientes para estabelecer grande parte da percepção de valor de um imóvel. Esses atributos continuam fundamentais — mas o mercado evoluiu, o comprador se tornou mais informado e o próprio conceito de alto padrão passou a incorporar outras dimensões.
Hoje, alguns dos projetos mais interessantes começam muito antes da escolha dos revestimentos.
Começam na leitura do terreno, na arquitetura, no design, no paisagismo, na relação com o entorno e, sobretudo, na intenção de criar algo que tenha identidade própria.
É nesse contexto que os empreendimentos assinados começam a ocupar um espaço relevante em Florianópolis.
Mais do que uma tendência estética, esse movimento pode ser entendido como um sinal de amadurecimento do próprio mercado.
Florianópolis começa a pedir outro tipo de produto
Florianópolis sempre teve atributos extraordinários para o mercado imobiliário: geografia singular, natureza, mar, qualidade de vida e uma relação muito particular entre cidade e paisagem.
O que estamos observando agora é uma evolução também na maneira de transformar esses atributos em produto imobiliário.
O comprador do alto padrão mudou.
Ele viaja mais, conhece outros mercados, acompanha arquitetura e design, compara experiências e chega a uma negociação com referências que podem vir de São Paulo, Miami, Milão ou de qualquer outro mercado sofisticado.
Consequentemente, construir bem já não é suficiente para diferenciar os melhores projetos.
É preciso pensar melhor.
E essa mudança começa a aparecer na preocupação de algumas incorporadoras em desenvolver produtos que não sejam definidos somente pelo tamanho das unidades ou pelo padrão dos acabamentos, mas por uma concepção mais completa.
Arquitetura, interiores, paisagismo, serviços, experiência e identidade passam a fazer parte de uma mesma discussão.
O imóvel deixa de ser analisado apenas como uma soma de atributos e passa a ser percebido como um produto concebido em sua totalidade.
Quando a arquitetura deixa de ser complemento
Existe uma diferença importante entre utilizar arquitetura como componente de um empreendimento e fazer dela parte da construção de sua identidade.
Em projetos verdadeiramente autorais, arquitetura não entra no final para tornar o produto mais atraente.
Ela participa da origem.
Está na implantação, nas proporções, na maneira como o edifício encontra o terreno, na relação entre interior e exterior, na incidência de luz, na escolha dos materiais e na forma como quem vive ali percebe o espaço.
É por isso que uma assinatura relevante pode acrescentar algo que vai além do prestígio de um nome.
Ela traz repertório.
E repertório, quando encontra um bom terreno, uma incorporadora preparada e uma execução coerente, pode produzir algo cada vez mais valioso no mercado de alto padrão: singularidade.
O encontro entre referências globais e a identidade da Ilha
A presença de escritórios e profissionais internacionais em Florianópolis ganha especial relevância justamente pelas características da cidade.
Não se trata de importar para a Ilha uma arquitetura concebida para Miami, Dubai ou Milão.
O movimento mais interessante acontece quando um repertório construído internacionalmente encontra as particularidades de Florianópolis e é capaz de interpretá-las.
Aqui, mar, vento, vegetação, topografia, orientação solar e paisagem não deveriam funcionar apenas como cenário.
Eles fazem parte do projeto.
Quando arquitetura e território estabelecem esse diálogo, a assinatura deixa de ser apenas uma chancela e passa a contribuir efetivamente para a identidade do empreendimento.
E talvez seja justamente aí que esteja uma das maiores oportunidades para Florianópolis: não reproduzir outros destinos de luxo, mas elevar a qualidade de seus projetos sem perder aquilo que torna a Ilha única.
Incorporadoras também passam a construir posicionamento
Esse movimento exige uma mudança também do lado de quem incorpora.
Desenvolver um produto diferenciado demanda investimento, pesquisa, escolha criteriosa de parceiros e, principalmente, uma visão que ultrapasse o ciclo comercial de um lançamento.
Em Florianópolis, algumas empresas já começam a demonstrar essa preocupação de maneira bastante clara.
Um exemplo é a AMS Empreendimentos, que vem construindo uma estratégia baseada na combinação entre conhecimento do mercado local e parcerias com referências internacionais.
A incorporadora reúne em seu portfólio colaborações com a italiana Pininfarina e com a Arquitectonica, escritório de arquitetura com sede em Miami e atuação internacional, além de uma parceria de consultoria com a Porsche Consulting. Em sua trajetória, a empresa informa mais de 34 empreendimentos entregues, mais de 2.100 unidades e 227 mil m² construídos.
O que considero especialmente interessante nesse movimento não é apenas a presença desses nomes.
É a intenção de elevar a concepção do produto.
Ao buscar arquitetura, design, paisagismo e processos com referências distintas, incorporadoras que seguem esse caminho contribuem para ampliar o repertório disponível no mercado local — e, consequentemente, elevam também a expectativa sobre aquilo que será desenvolvido daqui para frente.
A AMS se torna um caso relevante nesse contexto justamente por não concentrar essa estratégia em uma única colaboração: a empresa incorporou diferentes parcerias internacionais à sua atuação e vem trazendo para Florianópolis uma discussão que envolve arquitetura autoral, design, localização e experiência como partes de uma mesma concepção de produto.
Não significa que todos os projetos precisem seguir o mesmo caminho.
Significa que o mercado passa a conviver com novas referências.
E isso é positivo para Florianópolis.
O impacto ultrapassa o próprio empreendimento
Existe uma dimensão desse movimento que considero ainda mais interessante.
Quando uma cidade começa a receber projetos arquitetonicamente mais ambiciosos, o impacto não termina nos limites daquele terreno.
Novos referenciais elevam a comparação.
O comprador passa a exigir mais. Outros incorporadores observam. Arquitetos encontram novas possibilidades. O mercado começa a discutir não apenas preço e metragem, mas conceito, implantação, paisagismo, autoria e experiência.
É assim que um mercado amadurece.
Não necessariamente construindo mais, mas elevando a qualidade daquilo que escolhe construir.
E Florianópolis vive um momento especialmente favorável para essa discussão.
A cidade amplia sua projeção, recebe novos moradores, atrai capital e passa a dialogar com um público que poderia escolher diferentes destinos para viver ou investir.
Nesse cenário, arquitetura e desenvolvimento imobiliário passam a ter também uma responsabilidade: transformar crescimento em qualidade urbana e preservar a identidade que tornou Florianópolis desejada em primeiro lugar.
Assinatura, por si só, não substitui fundamento
É justamente por reconhecer o valor desse movimento que também considero importante analisá-lo com critério.
Uma assinatura reconhecida não transforma automaticamente qualquer empreendimento em um bom ativo imobiliário.
Localização continua sendo fundamental. Assim como terreno, implantação, incorporadora, qualidade construtiva, planta, posição da unidade, preço de entrada, oferta futura, demanda e liquidez.
A assinatura acrescenta uma nova camada à análise. Não elimina as anteriores.
A diferença está em compreender o que aquela autoria efetivamente acrescentou ao projeto.
Quando existe coerência entre localização, conceito, arquitetura, execução e experiência, a assinatura deixa de funcionar apenas como argumento comercial e passa a integrar o valor percebido daquele produto.
É nesse ponto que o nome deixa de ser protagonista.
E o projeto passa a falar por ele.
Da metragem à identidade
Talvez essa seja uma das mudanças mais importantes na leitura contemporânea do alto padrão.
Durante muito tempo, comparar imóveis significou, em grande parte, comparar localização, metragem e preço por metro quadrado.
Esses indicadores continuam necessários.
Mas são insuficientes para explicar por que dois imóveis aparentemente comparáveis podem ocupar posições completamente diferentes na percepção do mercado.
Existem atributos que uma planilha não consegue traduzir integralmente.
Arquitetura.
Identidade.
Raridade.
Relação com a paisagem.
Qualidade espacial.
Autoria.
E, principalmente, a capacidade de um projeto permanecer relevante depois que o lançamento termina.
Porque empreendimentos permanecem nas cidades por décadas.
Eles transformam paisagens, estabelecem referências e passam a fazer parte da identidade dos lugares onde foram construídos.
O verdadeiro valor aparece com o tempo
Por isso, talvez a discussão sobre empreendimentos assinados seja maior do que simplesmente perguntar quem assina determinado projeto.
A pergunta que mais me interessa é outra:
O que essa autoria tornou possível aqui que dificilmente seria reproduzido da mesma maneira em outro lugar?
Quando existe uma resposta consistente para essa pergunta, começamos a falar de algo muito mais interessante do que uma tendência.
Falamos de projetos capazes de criar identidade.
De incorporadoras dispostas a elevar sua própria régua.
De compradores que começam a olhar além do óbvio.
E de uma Florianópolis que, à medida que ganha relevância no mercado de alto padrão, também passa a receber projetos compatíveis com uma nova etapa de sua própria evolução.
No fim, talvez esse seja o maior valor desse movimento.
Não trazer para Florianópolis aquilo que já existe em outros lugares.
Mas reunir novas referências, arquitetura, conhecimento e visão para construir algo que faça sentido justamente aqui.
Camylle Schafer
Curadoria Imobiliária Estratégica
Florianópolis | Miami | Orlando




